Não é exagero dizer que a biologia sintética permeou todos os aspectos da vida das pessoas. A ZymoChem está prestes a desenvolver uma jaqueta de esqui feita de açúcar. Recentemente, uma marca de roupas lançou um vestido feito de CO₂. A empresa em questão é a LanzaTech, uma empresa de destaque na área de biologia sintética. Sabe-se que essa colaboração não é a primeira parceria da LanzaTech. Já em julho deste ano, a LanzaTech cooperou com a empresa de roupas esportivas Lululemon e produziu o primeiro fio e tecido do mundo feito com têxteis reciclados a partir de emissões de carbono.
A LanzaTech é uma empresa de tecnologia de biologia sintética localizada em Illinois, EUA. Com base em sua experiência em biologia sintética, bioinformática, inteligência artificial, aprendizado de máquina e engenharia, a LanzaTech desenvolveu uma plataforma de recuperação de carbono (Pollution To Products™), para a produção de etanol e outros materiais a partir de fontes de carbono residuais.
“Ao aproveitarmos os benefícios da biologia, podemos usar as forças da natureza para resolver um problema muito moderno. O excesso de CO₂ na atmosfera colocou nosso planeta em uma situação perigosa. Precisamos urgentemente manter os recursos fósseis no subsolo e garantir um clima e um ambiente seguros para toda a humanidade”, disse Jennifer Holmgren.
A LanzaTech utilizou tecnologia de biologia sintética para modificar uma bactéria Clostridium isolada do intestino de coelhos, permitindo a produção de etanol a partir de microrganismos e CO₂, gás residual. Esse etanol foi então processado para a obtenção de fibras de poliéster, que, por sua vez, foram utilizadas na fabricação de diversos tecidos de náilon. Notavelmente, quando descartados, esses tecidos de náilon podem ser reciclados, fermentados e transformados, reduzindo significativamente a pegada de carbono.
Em essência, o princípio técnico da LanzaTech é, na verdade, a terceira geração da biofabricação, utilizando microrganismos para converter alguns poluentes residuais em combustíveis e produtos químicos úteis, como o uso de CO2 na atmosfera e energia renovável (energia luminosa, energia eólica, compostos inorgânicos em águas residuais, etc.) para a produção biológica.
Com sua tecnologia exclusiva capaz de converter CO₂ em produtos de alto valor agregado, a LanzaTech conquistou a preferência de instituições de investimento de diversos países. Relata-se que o financiamento atual da LanzaTech ultrapassa US$ 280 milhões. Entre os investidores estão a China International Capital Corporation (CICC), a China International Investment Corporation (CITIC), a Sinopec Capital, a Qiming Venture Partners, a Petronas, a Primetals, a Novo Holdings, a Khosla Ventures, a K1W1 e a Suncor.
Vale mencionar que, em abril deste ano, a Sinopec Group Capital Co., Ltd. investiu na Langze Technology para ajudar a Sinopec a atingir sua meta de "dupla emissão de carbono". A Langze Technology (Beijing Shougang Lanze New Energy Technology Co., Ltd.) é uma joint venture formada pela LanzaTech Hong Kong Co., Ltd. e pelo China Shougang Group em 2011. Ela utiliza transformação microbiana para capturar com eficiência o carbono de resíduos industriais e produzir energia limpa e renovável, produtos químicos de alto valor agregado, entre outros.
Em maio deste ano, foi estabelecido em Ningxia o primeiro projeto mundial de etanol combustível utilizando gases residuais industriais de ferro-ligas, financiado por uma joint venture da Beijing Shougang Langze New Energy Technology Co., Ltd. Com 5.000 toneladas de matéria-prima, é possível reduzir as emissões de CO₂ em 180.000 toneladas por ano.
Já em 2018, a LanzaTech cooperou com a Shougang Group Jingtang Iron and Steel Works para estabelecer a primeira planta comercial de etanol a partir de gases residuais do mundo, utilizando Clostridium para transformar gases residuais de siderúrgicas em combustíveis sintéticos comerciais, etc., com uma produção anual de 46.000 toneladas de etanol combustível e 5.000 toneladas de ração proteica. A planta produziu mais de 30.000 toneladas de etanol em seu primeiro ano de operação, o que equivale a reter mais de 120.000 toneladas de CO₂ da atmosfera.
Data da publicação: 14 de dezembro de 2022

